Na última sexta-feira, 27 de março de 2026, foi realizada a defesa pública de dissertação da mestranda Sofia Moresca de Lacerda, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da PUCPR. A sessão ocorreu às 14h30, na Sala de Projeção da Escola de Educação e Humanidades, reunindo banca composta por pesquisadoras de referência na área de estudos urbanos e regionais.
Intitulada “A trajetória da segregação socioespacial em Curitiba (2000–2022): condominização como projeto de cidade”, a pesquisa analisa as transformações recentes da segregação socioeconômica na capital paranaense e em sua Região Metropolitana, com foco no papel da expansão de condomínios e loteamentos fechados na produção do espaço urbano.
A banca examinadora contou com a participação da Profa. Dra. Geisa Tamara Bugs (PPGTU/PUCPR) e da Profa. Dra. Tathiane Mayumi Anazawa (NEPO/UNICAMP), compondo um debate qualificado e interdisciplinar. A orientação foi conduzida pela Profa. Dra. Agnes Silva de Araujo (PPGTU/PUCPR) e pela Profa. Dra. Flávia da Fonseca Feitosa (UFABC) que coorientou o trabalho.
A dissertação parte de um fenômeno contemporâneo relevante: embora indicadores apontem redução das desigualdades sociais em diversas metrópoles brasileiras, observa-se, simultaneamente, o aumento dos níveis de segregação urbana, tanto em escala macro quanto micro. Nesse contexto, o estudo investiga como a crescente produção de empreendimentos fechados tem contribuído para a fragmentação territorial e para a reconfiguração das dinâmicas socioespaciais.
Com base em uma abordagem quantitativa multiescalar, a pesquisa utiliza índices espaciais de segregação, como o Índice de Dissimilaridade Generalizado, Índices de Exposição e Isolamento, além do Índice de Moran. Os resultados evidenciam uma intensificação da segregação residencial ao longo do período analisado, com trajetórias distintas entre classes sociais.
Entre os principais achados, destaca-se o aumento do isolamento das classes mais altas e mais baixas, com a elite ampliando sua presença em áreas anteriormente periféricas, enquanto populações de baixa renda reforçam sua concentração em territórios periféricos e municípios metropolitanos. Já as classes médias apresentaram maior integração espacial. Ainda assim, a proximidade física entre grupos não se traduziu em integração social, evidenciando a coexistência de enclaves urbanos distintos em territórios contíguos.
A pesquisa contribui para o avanço do debate sobre segregação urbana no Brasil, oferecendo evidências empíricas relevantes para a formulação de políticas públicas mais eficazes no campo da habitação e do planejamento urbano.